domingo, 30 de dezembro de 2007

Nações petrolíferas revivem riqueza dos anos 1980

28/11/07 – Com a cotação do petróleo acima da marca de US$ 50 o barril, fato ocorrido no final de outubro, os países petrolíferos recuperam o poder aquisitivo comparável ao que tinham no final dos anos 70, durante os grandes “choques do petróleo” que então colocavam as economias ocidentais de joelhos. Afinal os preços do óleo cru subiram 50% no último ano e triplicaram desde 2003, em razão de uma demanda cada vez maior e das tensões geopolíticas na região.

Descontada a inflação e convertida a moeda do patamar atual, a cotação é comparável àquela de 1980 e 1981, anos do segundo choque do petróleo, provocado pela revolução iraniana e pela guerra Irã-Iraque. A constatação procede, apesar da dificuldade de uma conversão exata de valores e do fato que há 25 anos as transações se concentravam em uma qualidade diferente de petróleo. Os produtores “talvez tenham se tornado tão ricos quanto o foram à época mas, per capita, certamente não é o caso, pois eles experimentaram grande crescimento em suas populações”, ressalta o analista James Willians.

A escalada de valores encheu assim os cofres das monarquias do Golfo, que hoje multiplicam seus projetos imobiliários colossais, a compra de companhias e de grandes posições acionárias ocidentais. Elas competem entre si no afã de se tornar centros turísticos mundiais e gastam dezenas de bilhões em novos e faraônicos aeroportos.

Mais além do turismo, essas nações pretendem se tornar atores econômicos internacionais e se lançam à compra de Bolsas de Valores ocidentais. O Catar, um dos países mais ricos do mundo, com uma receita de US$ 63 mil por habitante, acaba de adquirir quase um quarto da Bolsa de Londres (LSE) e 10% da congênere nórdica OMX, sem contar a oferta de US$ 21 bilhões pela rede britânica de supermercados Sainsbury. Seu rival Dubai, antigo país petrolífero que hoje depende do turismo, arrematou outros 28% da LSE e se aliando a bolsa americana Nasdaq para comprar 47% da OMX.

O petróleo permitiu também o saneamento das finanças de países como a Venezuela, a Rússia, que pode quitar sua divida externa ou ainda a Argélia, cujas reservas de divisas atingiram US$ 90 bilhões ao final de junho último, quantia suficiente para financiar três anos de importações do país na Venezuela, a alta do petróleo garante ingresso suplementar US$ 10 bilhões por ano, segundo atesta relatório da Standard & Poor’s.

Por outro lado, a elevação dos preços reflete em parte o receio da eventual escassez do ouro negro. Por essa razão, o Catar projeta, até 2015, que o petróleo responda a no máximo um quarto de suas receitas. Mesmo que a tendência a enriqueça, a Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) não tem interesse na escalada de preços, que torna energias alternativas mais atraentes. Ainda que registre apreensão, a OPEP se recusa a “abrir a torneira”, alegando que o mercado está “muito bem atendido”. A organização deseja ainda compensar a perda cambial. O dólar americano, moeda do comércio de petróleo, desvalorizou-se 10% desde o inicio de 2007.

2 comentários:

Lud* disse...

Muito bom você ter começado 2008 com uma nova forma de nos trazer informações. Desejo um ano de muita felicidade, alegria e beleza para você.
L*

Nelson disse...

Guilherme


Parabéns pelo Blog !!!!

Que você tenha um excelente ano !!!

abraços

Nelson